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Brasil enfrenta crise política em pela pandemia

Se não bastasse o país viver uma das piores pandemias, o Brasil passa também por uma crise política criada quase todos os dias pelo presidente da república. Convidamos o médico do trabalho e assessor técnico do Sindicato, Roberto Ruiz, para analisar tanto do ponto de vista da saúde como política que o País vive hoje com a pandemia do novo coronavírus.

Para Ruiz, do ponto de vista da saúde, segundo a OMS, a melhor estratégia seria a testagem em massa. Infelizmente, o Brasil é o pais no mundo que menos testa. O Ministério da Saúde tenta correr atrás do prejuízo, sendo que não comprou a tempo os respiradores e insumos em geral. Vários governos de Estados tem se adiantado, e fazendo um belo trabalho, o que é possível nesse momento.

“Quanto à questão política, vou resumir em uma frase que vi de um jornalista na TVT (TV dos Trabalhadores): O Brasil é o único pais do mundo onde as manchetes no momento não são sobre Coronavirus, mas sim, sobre crises políticas criadas diariamente pelo presidente da república”, diz Ruiz.

O médico e consultor do Sindicato também preparou um protocolo de prevenção à Covid-19 em que pontua várias recomendações, entre elas restringir o número de transportados em um mesmo veículo, com assentos que garantam distanciamento seguro entre os passageiros. Além de a empresa fornecer máscaras a todos os trabalhadores adequadas para a atividade de trabalho e em número suficiente para a troca de 3 em 3 horas, conforme especificações técnicas.

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Quais medidas os trabalhadores devem estar atentos para se prevenir contra a contaminação pelo novo Coronovírus no ambiente de trabalho?
São aquelas já amplamente divulgadas, ou seja, fundamental usar máscaras, sempre lavar as mãos com água e sabão e ter álcool gel disponível para higienização. Fundamentalmente, quem puder, nesse momento, tem que ficar em casa. Quem estiver em atividade essencial, deve evitar aglomeração, tanto no trajeto/transporte, quanto no refeitório ou mesmo na linha de produção, devendo ser respeitada a distância mínima de 1,5 metro de distância entre trabalhadores. E quando falamos de usar máscara, é para qualquer situação que necessite sair de casa, seja ir ao mercado ou ao trabalho, e durante o transporte também.

Uma vez que a pessoa precisa sair para trabalhar, quais as medidas que ela deve ter para proteger sua família que está em casa?
Assim que chegar a sua casa, já tirar os sapatos na entrada, bem como sua roupa, e já tomar um banho, colocando todas as roupas que saiu para lavar. Inclusive, lavar a máscara também.

Qual o papel dos sindicatos nessa pandemia?
O Sindicato primeiro tem que se colocar ao lado da sua base de atuação. Por meio de seus meios de informação, dizer que o fundamental agora é preservar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. E se colocar inclusive para fazer o enfrentamento com empresas que querem violar as normas da saúde, expondo trabalhadores ao risco de contaminação.

Como o senhor avalia a fala do presidente que diz que a Covid-19 é só uma “gripezinha”, um “resfriadinho”?
Acho isso de uma infelicidade tremenda. Fico pensando nas famílias que perderam vidas amadas por conta dessa “gripezinha”. Além da tragédia que a pandemia significa, no Brasil, temos uma tragédia política. É hora dos trabalhadores prestarem atenção em toda a classe patronal que dizia que era só tirar a Dilma que ia dar tudo certo, e depois, eleger Bolsonaro que as coisas iam melhorar. E agora, que elegeram um político desse nível, o que tem a dizer?

O que é mais assustador nessa pandemia? A própria doença ou o fato de algumas pessoas defenderem o lucro acima da vida?
Com a pandemia, fica muito claro a luta capital x trabalho. Essas passeatas de carros, pedindo que trabalhadores que estão em casa se exponham no transporte coletivo e nas jornadas de trabalho extensas mostram muito o que pensa a elite brasileira: o lucro acima da vida.

A defesa do SUS é fundamental para enfrentar essa pandemia? Por que?
Veja que ironia, o ex-ministro Mandetta votou contra o SUS na época que era deputado, naquele projeto que restringia o gasto em saúde pública e, no primeiro ano como ministro, teve várias ações de redução de repasses de verbas para diversos projetos. Depois, quando iniciou a pandemia, entendeu que só o SUS estruturado poderia fazer frente à pandemia. Se estamos com deficiência em várias cidades como Manaus e Recife, imagine sem o SUS? A tragédia seria de uma dimensão muito maior.

Como o senhor avalia o possível relaxamento do isolamento social nesse momento?
Existem diversos critérios técnicos para iniciar o relaxamento social. Um deles se refere com comportamento epidemiológico da pandemia, ou seja, se estivermos na ascendente, não podemos relaxar. Outro critério é quantos leitos de UTI livres temos, pois o ideal, é que no máximo a ocupação fique em cerca de 70% dos leitos, sendo que o ideal é termos uns 30% desses leitos vagos, para poder absorver um aumento rápido de casos graves.

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