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Unilever parte para grosseira repressão policial e acaba desmoralizada pelos trabalhadores

Dentro dos portões da Unilever, policiais exibem armas longas, escudos para confronto e sacos de munição

Multinacional usa dinheiro da população para coibir justo direito de mobilização na campanha salarial, previsto inclusive em lei. E reincide na prática do assédio moral

Um desproporcional, excessivo e acintoso uso da Polícia Militar foi praticado pela Unilever do Brasil na madrugada de hoje (08 de dezembro), em Vinhedo, com o objetivo de intimidar e reprimir um justo, legal e legítimo direito de seus trabalhadores em se mobilizarem e se organizarem junto a seu sindicato na campanha salarial da categoria que ora se desenvolve. Desde ontem às 14 horas, conforme decidido em assembléia, os 550 trabalhadores da multinacional mais os 130 da Sinimplast (empresa terceira que presta serviços na planta industrial), com a recusa da Unilever desde setembro em abrir negociações para discutir o reajuste salarial da categoria, teve início uma greve que paralisou totalmente a produção. Pouco antes das cinco horas da manhã de hoje, com cerca de 20 viaturas, perto de 60 policiais militares exibiam às mãos, de forma intimidatória, armas longas, escudos para confrontos, sacos de munição e de bombas chamadas de “efeito moral”, cassetetes, além de revólveres na cintura e uma câmera com a qual filmavam sindicalistas, militantes e trabalhadores e trabalhadoras da Unilever, ainda dentro do ônibus quando estes chegava na empresa..

Mais informações

Para mais informações – e atualizações – sobre a greve que se desenvolve na Unilever e na Sinimplast em Vinhedo, telefonar para o rádio (19) 7850.2972 e falar com os dirigentes sindicais José Roberto e Cunha, que se encontram com os trabalhadores na porta da multinacional, ou para a Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados no telefone(19) 3886.6264..

Trabalhadores reagem e constrangem empresa

Corredor de policiais para induzir trabalhador a ir do ônibus para dentro da Unilever

Tamanha demonstração de desrespeito da Unilever para com seus trabalhadores, que são aqueles que no duro trabalho do dia-a-dia garantem com sua produção os lucros da multinacional, surtiu efeito totalmente contrário. Indignados por serem assim recebidos e tratados, e com muita coragem e consciência para tomar tal decisão com o clima repressivo e tenso instalado, eles se recusaram a passar por um corredor de policiais para entrar na empresa. Os policiais lhes diziam que seu direito de “ir e vir! estava garantido e que podiam entrar para trabalhar “tranquilamente”, uma nada sutil indução do que deveriam realmente fazer. Os trabalhadores se agruparam junto ao caminhão do sindicato, fizeram uma assembléia e decidiram, por unanimidade, dar continuidade à greve até que a Unilever abra negociações sobre suas reivindicações..

Para a Unilever – ali representada por toda sua gerência e chefia que ao lado de policiais estava em frente ao portão principal da empresa – restou ter demonstrado publicamente o atraso de sua política de recursos humanos, de gerenciamento, de ter escancarada toda sua truculência e, mesmo assim terminar totalmente impotente e desmoralizada por seus trabalhadores e trabalhadoras.

Armas longos ostensivas, saco de bombas, policial filma trabalhadores. Repressão sem sucesso: a greve continua!

A população toda paga, você também, pelo uso da Polícia Militar pela multinacional

O direito de organização, de sindicalização, de greve e de toda e qualquer mobilização dos trabalhadores na defesa de seus justos e legítimos direitos está garantido na legislação brasileira, inclusive na Constituição. Portanto, nada de anormal ou ilegal ocorre hoje na Unilever, pelo menos por parte dos trabalhadores, nem durante as assembléias e nem pela greve em si. No entanto, é dada como normal, embora isso deva ser melhor questionado e avaliado, a presença de policiais nestas mobilizações.

Mas o que deve ser mesmo combatido, condenado e objeto de maior e mais profunda discussão, é a presença ostensiva de desproporcional aparato da força policial do estado, tanto em homens como em equipamentos, nestas situações. Nada justificativa, justifica ou explica esse serviço público do estado colocado à total disposição de uma empresa privada, menos ainda no caso do porte de uma multinacional como, no caso, a Unilever Brasil. Serviço público que, como todos sabemos, por diversos motivos está deficiente, sucateado e despreparado para cumprir – e portanto não o cumpre – sua principal razão de ser que é combater o crime e dar segurança a toda sociedade.

Quanto custou aos cofres do Estado de São Paulo a mobilização de cerca de 20 carros e perto de 60 homens para fazer a segurança do interesse privado da multinacional Unilever, que é a maior empresa mundial na produção de bens de consumo e seu faturamento representa 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro? Quanto custou de combustível, de manutenção (óleo, pneus e desgaste) dos veículos, de horas/salários dos policiais mais todas suas armas e despesas com treinamento?

E quem pagou toda essa despesa dada pela multinacional Unilever ao Estado de São Paulo foi toda a sociedade, inclusive você. Ironicamente, essa despesa também foi paga pelo próprio trabalhador da Unilever. Ou seja, ele é explorado pela multinacional, ela se recusa a discutir seu salário e, por cima, chama a polícia que é paga também por ele para que ela o reprima.

Assim, é preciso urgentemente abrir a discussão sobre o uso acintoso de recursos públicos pelas empresas privadas, recursos que inegavelmente fazem e farão muita falta à população. E isso somente por causa de um natural e rotineiro conflito de interesses trabalhistas, absolutamente reconhecido e garantido por lei.

Polícia Militar também à disposição da Unilever em ato em S. Paulo, em fevereiro de 2005

Reincidente em assédio moral.

Hoje, novamente a Unilever Brasil reincidiu na prática do assédio moral, o que significa constranger trabalhadores tanto individual como coletivamente. Muitas empresas já foram condenadas na Justiça por essa prática. Em março de 2005, além de cometer transgressão contra o livre direito de organização dos trabalhadores, a multinacional praticou o assédio moral ao colocar a disposição de seus trabalhadores, por escrito, um informativo no qual oferecia um número de telefone e os serviços para que eles se desfiliassem do sindicato. Duramente combatida e denunciada, ela teve que recuar e desculpar-se junto aos trabalhadores, ao sindicato e à sociedade.

Na manhã de hoje, com ajuda policial, sua Chefe de Logística, Aparecida (conhecida na fábrica por Cidinha), entrava nos ônibus assim que eles abriam a porta e coagia os trabalhadores a entrar na empresa. Uma flagrante cena pública de assédio moral.

Mais uma vez, por esse motivo, a Unilever será processada pelo Sindicato Químicos Unificados.

Documento da Unilever propõe a dessindicalização (esq). A Chefe de Logística entra no ônibus para assedior os trabalhadores

Pesquisa do Observatório Social constata “graves problemas” na Unilever

Entre abril de 2002 e março de 2003, o Instituto Observatório Social (IOS) realizou uma extensa pesquisa sobre o desempenho social e trabalhista da Unilever no Brasil.

O problema mais grave identificado na pesquisa é o fato de a companhia não respeitar integralmente a liberdade sindical e a livre organização dos trabalhadores. Também foi constatada pouca capacidade da empresa em transmitir informações importantes para os trabalhadores, diretamente ou por meio do sindicato.Quanto às políticas de promoção de igualdade racial e de gênero, a Unilever pratica a chamada discriminação passiva. Isto é, nada faz para mudar, no âmbito da empresa, as desigualdades raciais e de gênero que caracterizam o mercado de trabalho brasileiro. Segundo a percepção dos trabalhadores entrevistados, o número de mulheres e de negros em cargos de chefia é inexpressivo.

O relatório completo da pesquisa realizada pelo Instituto Observatório Social (IOS) pode ser encontrado no sitio: www.observatoriosocial.org.br

As infrações trabalhistas na multinacional em Vinhedo

Em um relatório de 180 páginas preparado pelo Sindicato Químicos Unificados e entregue em novembro de 2003 ao então ministro do Trabalho e Emprego Jaques Wagner, constam documentos que comprovam a ocorrência de doenças ocupacionais nos trabalhadores da Unilever em Vinhedo, como o estresse e LER – Lesões por Esforços Repetitivos entre outras, principalmente com origem no excessivo ritmo exigido na produção e por falta de medidas preventivas. Essas doenças ocupacionais já foram ratificadas em estudo promovido pelo Observatório Social (www.observatoriosocial.org.br). Constam também comprovações de que a multinacional desrespeita os direitos básicos dos trabalhadores e de liberdade dos mesmos de organização em entidade de classe previstos no Global Compact (que define princípios para as multinacionais, propostos pela ONU – Organização das Nações Unidas), as diretrizes para empresas multinacionais da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e principalmente as normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho. Estas denúncias também foram encaminhadas à ONU.

Perfil da Unilever

Faturamento mundial US$ 56,28 bilhões (2002).
Faturamento no Brasil R$ 7,3 bilhões (2002).
Ranking de empresas 1a. no mundo em bens de consumo, 2a. em alimentos (a 1a. é a Nestlé).
Número de trabalhadores no mundo 247 mil (2002).
Empregados no Brasil 15.000.
Participação no mercado brasileiro 1% do PIB.
Marcas mais conhecidas Chá Lipton, sorvete Magnum, margarinas Doriana e Becel, suco de soja Ades, sabonete Dove, xampus Organics e Timotei, sabão em pó Omo, pastas de dente Close Up, Signal, Gessy e Mentadent, linha de produtos Rexona, linha de fragrâncias Calvin Klein.

A unidade da Unilever Brasil em Vinhedo tem cerca de 550 trabalhadores diretos mais 130 terceirizados, produz produtos para higiene pessoal e cosméticos, e está localizada na Avenida das Indústrias nº 315, Distrito Industrial de Vinhedo.

Desmoralização no exercício do poder possível

No interior da Unilever, policiais de um lado e, de outro, os constrangidos gerentes e chefes da multinacional com o corredor de entrada totalmente vazio: O ego no exercício do poder possível desmoralizado pela união dos trabalhadores

A campanha salarial 2006

A campanha salarial do ramo químico se desenvolve em duas frentes: Negociações com a representação patronal na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e com a luta direta nas fábricas. Nas negociações na Fiesp, já encerradas, a proposta patronal foi de 3,5% de reajuste. A data base da categoria é 1º de novembro, e na negociação na Fiesp a patronal do ramo químico propôs o índice de 3,5% de reajuste. Com a inflação oficial de 2,71% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos últimos doze meses (01 de novembro de 2005 a 31 de outubro último), os trabalhadores teriam um aumento real nos salários de 0,79%. Na campanha salarial é reivindicado um reajuste de 10%. Como a patronal radicalizou e de por encerradas as negociações na Fiesp, os trabalhadores deram início à tática da luta fábrica por fábrica.

Mobilizações nas empresas arrancam maiores aumentos reais nos salários

Greves e atrasos no início da produção em diversas empresas garantiram a conquistas de aumento real de salários maior do que o previsto no acordo coletivo, além da regularização de problemas específicos.
Na Adelbras Adesivos, em Vinhedo, uma greve de 48 horas levou o reajuste salarial para 8,5% – 5,79% de aumento real. Na Girona Embalagens, em Barueri, assembléias com atraso na produção o reajuste foi de 9% (7% em 1º de novembro mais 2% em abril) – que leva o aumento real total para 6,29%. Na Saint-Gobain Cerâmicas/Abrasivos, uma greve de 24 horas obrigou a empresa, que até então se mantinha intransigente, a abrir negociações com o sindicato e os trabalhadores.

Veja a relação das empresas nas quais a luta garantiu maiores reajustes salariais:

1.Tintas Van Blaster, em Paulínia – 10% nos salários.

2.Girona Embalagens Industriais, em Barueri – 9% (7% agora mais 2% em abril/2007), o que representa um aumento real total de 6,29% nos salários. PLR de R$ 650,00, paga antecipada agora em dezembro.

3.Adelbras Adesivos, em Vinhedo – 8,5% nos salários.

4.Parafix Adesivos, em Valinhos – 5% (antecipa 4% desde junho) nos salários.

5.Coverti Tintas e Vernizes, em Sumaré – 5% nos salários.

6.Fabili Ind. e Com. Plásticos, em Sumaré – 5% nos salários.

7.Planmar Indústria de Plásticos, em Sumaré – 5% nos salários.

8.Langal Ind. de Prod. Plásticos, em Sumaré – 5% nos salários.

9.Sibemari Produtos Plásticos, em Sumaré – 5% nos salários.

10.Atco Plásticos, em Vinhedo – 5% nos salários.

11.Cromoquim Ltda, em Hortolândia – 5% nos salários.

12.Brastrafo do Brasil Ltda, em Hortolândia – 5% nos salários.

13.Fruidex Ltda, em Hortolândia – 5% nos salários.

14.Dalka do Brasil, Valinhos – 6,2% nos salários.

15.Soproval Embalagens, em Valinhos – 8% nos salários.

16.Kroda Brasil, em Campinas – 5% nos salários.

17.Ibasa do Brasil, em Paulínia – 5% nos salários, piso e PLR.

18.Galvani Ltda., em Paulínia – 6,9% no piso e 5% na PLR. Ainda em negociação.

19.Rodabras Abrasivos, em Vinhedo – 4% nos salários.

20.Rei Abrasivos, em Vinhedo – 4% nos salários. Mais plano de cargos e salários com reajustes de até 10%.

21.Scholle Embalagens, em Vinhedo – 7% nos salários.

22.Sanner do Brasil, em Osasco – 4,5% nos salários. E 7,1% no piso salarial, que passa para R$ 650,00.

23.Medley Farmacêutica, em Campinas e Sumaré – 5% nos salários.

24.Inpacom, em Hortolândia – 5% nos salários.

25.Delmold Plásticos, em Hortolândia – 5% nos salários.

26.Fabiplast Embalagens, em Hortolândia – 5% nos salários.

27.Ajapeg, em Hortolândia – 5% nos salários.

28.Dow Corning, em Hortolândia – 3,5% em novembro mais 3% em abril/07, nos salários.

29.Miracema-Nuodex, em Campinas – 4% nos salários.

30.Fresenius-Kabi, em Campinas – 4,5% nos salários e PLR de R$ 850,00.

31.Termotécnica, em Sumaré – 3,5% em novembro mais 1% em janeiro/07, nos salários.

32.Nova Era, em Cotia – 6% nos salários e 6,83% no piso e na PLR.

33.Hidroall do Brasil, em Valinhos – 5% nos salários e 15,3% no piso.

34.Romão Gogolla Abrasivos, em Vinhedo – 6% nos salários.

35.CB-PAV, em Cotia – reajuste salarial de 6%

36.Day Brasil, em Jandira – reajuste salarial de 5%

37.Groupack, em Barueri – reajuste salarial de 5%

38.Rudolf Soft, em Barueri – reajuste salarial de 5%

39.Bona Tintas, em Jandira – reajuste salarial de 5% nos salários e R$ 600,00 de PLR.

40.Hidroall do Brasil, em Valinhos – 15,3% no piso (85% de seus trabalhadores) mais 40% no tíquete alimentação

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