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leve brumadinho

Brumadinho: não é acidente. É crime.

O Sindicato Químicos Unificados expressa total repúdio à prática negligente e criminosa da Vale S.A que causou, até o momento, a morte de mais de 60 pessoas, desaparecimento de mais de 300, além de danos irreparáveis à fauna, flora e aos rios que cortam a região de Brumadinho (MG), após o rompimento da barragem do Feijão no dia 25/01.

O Brasil revive a dor de três anos atrás, quando a Samarco Mineração S.A. controlada pela Vale S.A e pela a anglo-australiana BHP Billiton permitiram que a barragem do fundão se rompesse, causando a morte de 19 pessoas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), além de matar o Rio Doce com a contaminação.

Causa-nos indignação que o crime anterior ainda permaneça impune. Repudiamos as declarações da empresa que insiste em tratar os episódios como acidentes. Nós, trabalhadores químicos de Campinas, Osasco e regiões estivemos ativamente na luta contra a privatização desta importante mineradora no final da década de 90. Participamos de marchas e da organização de um Plebiscito Popular Nacional pela Nulidade do Leilão da Companhia Vale do Rio Doce em 1997.

Sabíamos que a privatização representava grandes perdas para o país. Para além da perda de uma fonte de geração de riqueza que nos garantia soberania nacional, sabíamos que ao cair nas mãos da iniciativa privada, o lucro estaria acima das vidas. Após a privatização, deixamos de produzir e exportar manufatura para nos transformar exportadores de matéria prima a preços baixos ara países industrializados.

Infelizmente, após o crime em Mariana, nada foi feito para impedir que vidas novamente fossem sacrificadas. A situação torna-se ainda mais grave na medida em que o governo eleito defende que o meio ambiente necessita de regras mais flexíveis, menos multas e menos fiscalização.

Outro ponto gritante é que a dimensão desta tragédia expõe a negligência e conduta criminosa da Vale em relação a seus trabalhadores. Mais de 400 trabalhadores/as, muitos de empresas terceirizadas estão entre as vítimas. Os locais de trabalho, oficinas, refeitório e prédios localizavam-se logo abaixo das barragens. A tragédia poderia ter sido evitada, caso a empresa cuidasse dos aspectos de segurança com a responsabilidade necessária.

Reiteramos que nossa luta seguirá sendo a defesa da vida. Solidarizamo-nos com as vítimas, exigimos punição imediata aos responsáveis pelos crimes e indenizações às vítimas, familiares e ao município. Defendemos que a Vale volte a ser controlada pelo Estado, o fim da flexibilização da legislação ambiental e maior controle sobre todas as barragens atualmente em operação no Brasil.

28/01/2019
DIREÇÃO SINDICATO QUÍMICOS UNIFICADOS
INTERSINDICAL – CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

Foto: Lucas Hallel ASCOM/FUNAI

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